sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

então...






dias alternam noites,
eu alterno sentimentos,
amanheço esperança,
anoiteço solidão,

chovo no desencontro,
sou desperta no esquecimento,
floresço nas alegrias,
sou dos dias e das noites,
companhia.

e
escrevo
escrevo
escrevo
escrevo



imagem* honey


Fátima N.

enquanto você cresce...






há uma ausência preenchendo o vazio,
há arrumação demais para o meu gosto,
quero roupas fora do lugar, sapatos por guardar.
quero silêncio interrompido pela gargalhada sua.
quero a agitação de sua presença inquieta.

eu hoje não sou ninguém: só saudade.
que amanhã acostumada será,
e depois e depois e depois...

e o que é a vida?
um enorme colar de saudades?


imagem*honey

Fátima N.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009






são níveis ou declives?
uma fenda que se abre,
entre a estranheza e a solidão.
olho e ela é voraz.
tento fugir e ela me engole.

não há caminho plausível,
não há explicação reta.
tenho inveja dos bêbados da rua
que na dormência do alcool: sonham.

há qualquer coisa de divino em ser
abandonado, ultrajado e perdido.
maltrapilho, andante, lírico e poeta.


imagem*teobservo wordpress

Fátima N.

...





o que é a vida, senão uma teia?
frágil, pequena, morena , sem jeito.
alvo, presa e alimento.

o que é a vida senão uma teia?
caído nela o desespero,
solto por ela todo o sentimento.

o que é a vida senão uma teia?
liberdade, prisão, sofreguidão e paixão.
solto por ela o poder, preso nela o desejo.


Fátima N.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009






de onde eu vinha, só o cinza havia,
trazia nas cores, o branco, o preto,
misturando as duas, fazia de colorir,
dias brancos, noites nem tanto,

não sabia que as cores - essas -
que gritam aos olhos, falam aos sentidos,
tão vaidosas de si, ingratas que são,
querem aparecer mais que eu.
acho que é inveja, acho que é ousadia,
elas são egoístas quando sozinhas,
e apaixonantes quando em arco-íris.

Fátima N.

imagem*lionoche

Alma Lusa...





pela manhã um cheiro de alecrim,
uma alma que passeia linda e leve, nos
pensamentos, e eu tão aprendiz, lhe venho
acarinhar.

pensei no Tejo, nos azulejos, no bacalhau,
nos pasteis de Belém, pensei no sotaque,
nas caravelas, na inquietação e meu coração
que se desabotoa, vem de forma amorosa
agradecer-lhe pelas viagens de mãos dadas que
fizemos e tantas ainda por fazer.

ah! alma menina, que me faz atravessar
o Atlântico, Pessoando meus dias,
doirando minhas noites, me cobrindo com
o manto da língua mãe - essa tão linda,
tão nossa.

alma lusa, um dia para se brindar.
alma lusa, um dia para se agradecer.
alma lusa, um dia para sorrir- mais um.

ô timoneiro!! ô timoneiro!!
naveguemos!! naveguemos!

Fátima N.

Agla




e eu que sou tão pequena,
desafio o dor, faço dela brinquedo,
mas me queimo, ela é tirana.
dou-lhe flores, quem sabe ela se engana?

não sei onde guardei nossas armaduras.
e nessa vida errante, só queremos dela o riso.
falar dos colibris e tomar absinto.
entorpecer a alma e deixar que doa sem doer.


Fátima N.